1# EDITORIAL 21.5.14

"TERRORISMO ELEITORAL NO AR"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

O medo como arma de campanha sempre foi tido e havido como o ltimo dos recursos a que se apela quando todos os demais no surtiram efeito, no objetivo de aliciar a preferncia dos eleitores a favor de um candidato contra o seu adversrio. Na semana passada, o Partido dos Trabalhadores decidiu reverter essa lgica e colocou no ar, de sada, um teaser onde a mensagem do medo  abertamente lanada para angariar votos de indecisos e incautos. No podemos deixar que os fantasmas do passado voltem, brada o locutor, enquanto imagens de brasileiros empregados e desempregados, pedintes e estudantes so sobrepostas, com a ameaa subliminar de um retrocesso caso a presidenta Dilma no vena as prximas eleies. A oposio naturalmente reagiu taxando de ttica do desespero. A presidenta, que segue em queda nas pesquisas de popularidade, parece acreditar no vale-tudo. E, nesse ambiente, o debate que deveria caminhar, a bem do Pas, para o campo das mudanas estruturais almejadas pela sociedade desce ao nvel da baixaria pura e simples. O recurso, mais que deplorvel,  de eficcia duvidosa. J foi tentado inmeras vezes. E, ironia das ironias, contra o prprio PT. Em 2002, na campanha do candidato tucano Jos Serra, uma pea de sua propaganda eleitoral trazia o depoimento da atriz Regina Duarte dizendo ter medo de Lula e do risco que o Brasil corria de perder a estabilidade conquistada. O opositor Lula respondeu com o mantra a esperana vai vencer o medo e levou a vitria. Desta vez, na filosofia distorcida de seu partido, intensifica-se a guerra do ns contra eles, como se o Brasil pudesse ser dividido em duas faces, a do bem e a do mal, a de ricos contra pobres. Certamente um equvoco. Com essa viso distorcida do maquiavlico conceito de dividir para governar, o PT incita sem necessidade o apartheid de classes. E peca ao no perceber que a insatisfao do eleitorado aumenta independentemente da camada social. Os que hoje desaprovam o governo, como mostrou a pesquisa Isto/Sensus, j esto percentualmente em maior nmero do que aqueles que aprovam (49% a 40% dos entrevistados). Nas ruas, na semana passada, novos protestos e greves deram mais uma demonstrao nesse sentido. Seria, portanto, prudente e aconselhvel nesse cenrio que partidos e candidatos deixassem de lado seus meros projetos de poder em prol das propostas que constituam um projeto de gesto mais eficiente  em sintonia com o que a Nao realmente necessita.

